segunda-feira, 14 de março de 2011

REVIEW: CYBORG - O DRAGÃO DO FUTURO (1989)

Já que um dos principais assuntos envolvendo Albert Pyun atualmente é o seu director's cut de CYBORG - O DRAGÃO DO FUTURO (mais informações em alguns posts abaixo), vamos nos contentar por enquanto com um textinho sobre a sua versão mais conhecida mesmo, a que foi lançada nos cinemas, a que assisti ainda moleque em VHS, a mesma que comprei há algum tempo em DVD. Uma versão que mesmo retirada das mãos de seu criador no processo de edição, ainda concentra força suficiente para fazer a cabeça dos amantes dos filmes de ação casca grossa. Mas fica agora a ansiedade pela nova versão. Há notícias de que se trata de um filme bem diferente... é esperar pra ver.

CYBORG é mais uma variação do subgênero “pós-apocalíptico”; filmes em que vislumbramos o futuro da pior maneira possível, com suas grandes cidades destruídas por alguma catástrofe natural ou não, geralmente com um punhado de pessoas que já perderam a noção de humanidade tentando sobreviver ao caos, enfrentando as piores desgraças, agindo com violência, imoralidade e sem esperanças de uma vida melhor.

No futuro de CYBORG, a "peste" devastou com a população mundial e a esperança do que resta da humanidade é a segurança de uma cyborg detentora da cura e que precisa chegar a Atlanta, único local com estrutura para trabalhar com o material que provavelmente vai restaurar a ordem no mundo.

Mas existem grupos anarquistas que preferem deixar tudo como está. É o caso da gangue do maquiavélico Fender, que faz de tudo para impedir que a moça de lata chegue ao seu destino. Aí que entra o nosso herói, Gibson (sim, os nomes dos personagens são marcas de guitarras!), na pele do belga Jean Claude Van Damme, um mercenário que se propõe a ajudar, embora seja motivado por um instinto vingativo, rixa do passado entre ele e o Fender, o qual é muito bem explorado nos flashbacks do protagonista.

Dirigido pelo mestre dos B movies, Albert Pyun, o qual este blog lhe é reservado, nunca escondeu sua predileção pelo universo pós apocalíptico e cyber punk. Deve ter adorado trabalhar com todos esses elementos neste que é considerado o seu melhor filme. A principio, Pyun havia sido contratado pela Cannon para que levasse à telona o filme do Homem Aranha, ao mesmo tempo, filmaria ainda, para a mesma produtora, a continuação de MESTRES DO UNIVERSO, aquele filme onde temos Dolph Lundgren encarnando o He-Man. Sendo assim, foram construídos cenários, figurinos bacanas e todo o aparato necessário para as duas produções.

Sabemos que nenhum desses dois filmes chegou a ser filmado. Depois que a Cannon cancelou os projetos, Pyun apresentou uma história chamada SLINGER que evocava o universo dos samurais, mas inspirado pelo spaghetti western de Sergio Leone, cuja trama transcorre num mundo pós-apocalíptico que aproveitaria muito bem toda aquela estrutura já construída para os filmes cancelados. Seria filmado em preto e branco e teria uma estrutura de ópera... Bem, claro que o chefão da Cannon, Menahen Golan, cortou algumas ideias de Pyun, mas foi assim que surgiu CYBORG. No entanto, o filme ainda chegou a ser promovido na TV carregando o nome MASTERS OF UNIVERSE 2: CYBORG!

O filme é bem curto, não chega a uma hora e meia, mas a ação é constante. Difícil esquecer algumas cenas antológicas - Van Damme esparcado esperando seu oponente passar debaixo para dar o bote é genial. Aliás, toda a sequência que antecede a crucificação do protagonista e a maneira em que o personagem se livra da cruz com toda a fúria me marcou bastante há vinte anos atrás. Hoje ainda reserva grande força para quem embarca tranquilamente na trama e neste tipo de diversão.

Além de Van Damme (cujo sotaque na época ainda era um problema para Pyun), que se sai muito bem em cena, vale destacar o desempenho do grande Vincent Klyn, o vilão Fender, que possui uma puta presença ameaçadora e poderia muito bem ter sido melhor aproveitado no cinema. O único outro filme que não foi dirigido pelo Pyun que o ator participou (fizeram vários juntos) e que me vem à mente no momento é uma pequena participação em CAÇADORES DE EMOÇÃO, da Kathryn Bigelow (claro que deve ter feito outros, mas estou com preguiça de ir ao imdb pesquisar). A descoberta de Klyn é curiosa. Quando Pyun estava trabalhando no casting para a continuação de MESTRES DO UNIVERSO, o diretor foi ao Havaí procurar um ator que substituísse o Dolph no papel de He-Man e acabou encontrando, no meio de vários surfistas, Vincent Klyn. Pyun se impressionou tanto com aquela figura, que quando os projetos se transformaram em CYBORG, Pyun exigiu que Klyn fosse o vilão do filme... Daquelas escolhas simplesmente perfeitas. Pra mim Fender é uma das mais insanas, impiedosas e assustadoras representações do mal no cinema de ação de todos os tempos!

Eu posso estar sendo um nostálgico exagerado, mas CYBORG é um grande filme. Ótimo veículo de ação para o Van Damme, de quem eu nutro uma enorme admiração desde pequeno, muito bem dirigido pelo Pyun (ok, talvez eu esteja realmente exagerando!), ótimos cenários, atmosfera perfeita, efeitos especiais old school que chutam a bunda de qualquer CGI atual, trilha sonora marcante, etc e tal, mesmo sabendo que para a nova geração tudo isso não passa de uma tranqueira sem qualquer interesse... Uma pena.

Texto originalmente publicado no Dementia 13, com pequenas atualizações.

4 comentários:

Rob Datto disse...

Esse filme é DO CARALHO!!! um dos melhores do Van Damme, na minha humilde opinião, isso é que eu chamo de filme B com estilo, alémd eter um puta ritimo bom, um clima desolador,tem porrada, sangue, cyborgues, cenários sem vergonha, efeitos picaretas, enfim, amo e não imaginava que os chatões israelenses Menahem Golan e Yoram Globus e até o Van Damme tinham mudado tanto a versão do Pyun, o foda é que adoro essa versão de cinema e agora louco pra ver o director´s cut!!!!

Thiago disse...

Você está certíssimo em sua opinião sobre este filme. Cyborg é, na minha opinião, um dos melhores filmes de Van Damme (a cena em que ele chuta a cruz onde ele está pregado é impressionante, e o baixinho tem uma atuação impressionante e muito convincente. Uma pena que o Pyun nunca, por incrível que pareça, nunca foi chamado para dirigir blockbusters em Hollywood, pois ele tem ótimas idéias. Acho que ele merece (e muito) essa chance.

Victor Colmenero disse...

Esse Filme é Simplesmente animal. Uma cena muito marcante , e a hora que ele ta com a mina nas costas andando pelo esgoto c om os piratas atras dele e a luta com braço direto do fender no rio o "cara do bastão" blase loong , a trilha sonora é perfeita , na versão direct cut tem umas cenas bacanas que foram excluidas , mais a trilha sonora é um lixo perto da versão studio que tudo mundo conhece .

Anônimo disse...

Esse filme e dos melhores filmes com certeza do van damne e um filme que nao da pra se esquecer cenas marcantes fora que o nosso ator o vandamme mostra nesse filme bastante desepenho,o cara e bom de porrada pra cacete