quarta-feira, 24 de março de 2010

REVIEW: A ESPADA E OS BÁRBAROS (The Sword and the Sorcerer, 1982)


A década de 1980 deixou um vasto acervo de filmes do gênero Sword and Sorcerer, estilo que tratava de tempos longínquos e misturava realidade e fantasia em aventuras alucinantes que marcaram época. A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo jovem público de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um Senhor dos Anéis a descobrir filmes como Excalibur, Krull, The Beatmaster ou até mesmo algo mais trash, como Deathstalker. A Espada e os Bárbaros foi a estréia de Albert Pyun como diretor, um belo exemplar que acabou nomeando o gênero com seu título original, The Sword and The Sorcerer.

Mas infelizmente, e até curioso isso, A Espada e os Bárbaros também acabou no ostracismo. Merecia ter-se tornado no mínimo um clássico! Além de ser uma ótima aventura com boas doses de violência, bastante humor, mulheres nuas e efeitos especiais à moda antiga de primeira qualidade, o filme foi um enorme sucesso comercial levando em conta seu orçamento discreto. Para ter uma noção, Conan - O Bárbaro, em toda sua magnitude, lançado no mesmo ano e com capital mais espaçoso que este aqui, arrecadou apenas dois milhões a mais. Nada mal para o estreante diretor havaiano.


Segundo o produtor Brandon Chase, valeu a pena arriscar com Pyun na direção. Haviam cinco anos que os roteiristas Tom Karnowski, John V. Stuckmeyer e o próprio Pyun estavam trabalhando na idealização do projeto. Nada mais justo deixar que o jovem diretor, então com 26 anos, colocasse em prática os “ensinamentos” lhe passado por Takao Saito, diretor de fotografia de vários filmes do mestre Akira Kurosawa. Claro que pelo resultado na tela em muitos de seus filmes parece que seu aprendizado foram-lhes ensinado por um Ed Wood, mas Pyun mandou bem em muitos detalhes de A Espada e os Bárbaros, especialmente no ritmo ágil que garante diversão, assumindo uma postura de aventura B sem grandes pretensões.

A trama é basicamente um conto de vingança. Temos o rei Cromwell (Richard Lynch) tentando conquistar um reino cujo exército é invencível, mas com a ajuda de Xusia, um feiticeiro monstruoso e muito poderoso, consegue vencer a batalha e fazer daquele local o seu reino maligno. A história continua anos mais tarde, quando Talon (Lee Horsley), o filho do Rei assassinado que conseguiu escapar naquela altura, se torna um guerreiro mercenário e lidera um grupo de saqueadores que realiza jornadas de cidade em cidade. Quando retorna ao antigo reino em que vivia, Talon resolve se vingar daquele que matou seus pais, libertar o povo da tirania e ainda conquistar o coração de uma princesa.



Richard Lynch deve ter aqui um de seus melhores desempenhos. É desses atores que parece estar sempre dando tudo de si mesmo quando envolvido na maior das porcarias de baixo orçamento e que só aceitou fazer para pagar as contas atrasadas, o que acaba valendo a pena pela sua presença marcante nas fitas que participa. Já Lee Horsley, que dá vida ao herói, possui trejeitos que me lembram muito Errol Flynn: demasiado canastrão que sabe se impor em cena, especialmente quando está em movimento em sequências de aventura. Inclusive a semelhança física entre os dois reforça esse devaneio meu...

Alguns dos pontos de maior relevância, entretanto, são os cenários, efeitos especiais e maquiagem. Logo no início, na caverna onde Cromwell ressuscita, há uma parede de rostos que adorna a tumba do feiticeiro cuja concepção visual é muito interessante. O próprio Xusia é um ser repugnante com um aspecto monstruoso bem legal. Brilhante também a trilha sonora de David Whitaker e a fotografia de Joseph Mangine que realçam muito bem a atmosfera das locações e ambientações.


Albert Pyun iniciou a carreira com o pé direito, não há dúvidas. Teve liberdade total para ousar, possuía muita gente boa trabalhando na produção e parte técnica, um excelente ator como Richard Lynch no elenco e não desperdiçou a oportunidade de realizar um belíssimo filme de aventura do estilo "Sword and Sorcerer". Uma pena que vários de seus trabalhos seguintes não tiveram a mesma qualidade. Mas há quem goste, como os loucos aqui. Atualmente estamos aguardando ansiosamente por cada filme. Existem pelo menos quatro previstos para serem lançados este ano, incluindo Tales of Ancient Empire, sequência de A Espada e os Bárbaros, que estava nos planos dos produtores desde aquela época.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu vi este filme na minha adolescencia. Amei.

Danilo disse...

me deixou com lombriga pra ver esse filme agora