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segunda-feira, 2 de junho de 2014
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
REVIEW: BRAIN SMASHER... A LOVE STORY (1993)

É notório entre os fãs de Albert Pyun as dificuldades que o sujeito sempre enfrentou em cada uma de suas realizações, seja com produtores imbecis, orçamentos apertados, prazos curtíssimos, etc, e que acabaram refletindo no resultado visto na tela, distorcendo a visão e o verdadeiro talento do diretor! Mas se existe um filme que, aparentemente, saiu exatamente do jeito que Pyun queria, este se chama BRAIN SMASHER… A LOVE STORY!



O roteiro escrito pelo próprio Pyun é bem ágil, sempre trazendo uma situação nova durante a jornada noturna dos protagonistas - a cena na casa dos pais de Clay é engraçadíssima -, possui diálogos ótimos, com um senso de humor esperto - a piada que eles fazem com os chineses chamando-os de japoneses e ninjas é demais! - e Hatcher e Clay possuem muito carisma! O resto do elenco também rouba boa parte do show, especialmente os fiéis colaboradores do diretor, Tim Thomerson e Brion James, que aparecem rapidamente como uma hilária dupla de detetives.

Teri Hatcher está deliciosamente linda! É musa da adolescência, quando ainda estrelava aquele seriado terrível com o Homem de Aço, LOIS & CLARK! Interpretando uma modelo, então, ela conseguiu aparentar mais gostosura! Sua personagem é a mais complexa da trama. A moça que vive no glamour, sob os holofotes dos fotógrafos, rodeado de gente rica, e de repente se vê numa situação de insegurança, sem dinheiro e fugindo de "ninjas" com más intenções. É bacana o que Pyun faz com a personagem, quando ela está nas ruas tentando se esconder enquanto suas fotos estampam anúncios nas vitrines das lojas, nos outdoors, dando uma sacada visual muito interessante ao filme, justapondo o mundo abastado da modelo com a situação desesperadora atual que ela passa! Além disso, BRAIN SMASHER tem muito estilo no visual, é dark, com luzes azuis, bem anos 80 e a trilha de Tony Riparetti ajuda no climão.

Em conversas por email, Pyun já declarou seu amor por BRAIN SMASHER. É um de seus favoritos dentre os que realizou e pela movimentação da câmera e os enquadramentos inspirados isso fica evidente. Um filme B de mestre que precisa ser descoberto, e com ele, o talento deste diretor tão subestimado.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
REVIEW: CYBORG DIRECTOR'S CUT, aka SLINGER (1989)
Aqui vão as minhas primeiras impressões e idéias soltas sobre a versão do diretor de CYBORG.
Quem se interessar por mais informaçõs sobre essa director’s cut, eu recomendo este post, escrito pelo Osvaldo Neto há poucos meses. O fato é que desde as primeiras notícias a respeito da descoberta desta versão, eu não pude conter a animação de saber que teria, em algum momento, o prazer de assistir a este filme da maneira como o Albert Pyun imaginou em termos de montagem, atmosfera e trilha sonora. Já disse isso no meu texto sobre a versão de cimena de CYBORG, mas vale repetir que se trata de um dos filmes que mais marcou a minha infância e se hoje sou um grande fã de filmes de ação e artes marciais, CYBORG teve grande parcela de culpa.
Um detalhe importante é que o termo “director’s cut” não possui a mesma definição da qual estamos acostumados. Não é o trabalho de alguém que resolveu remontar o filme, nem pretende o relançamento comercial para substituir o “original”. Esta é uma versão de CYBORG praticamente em estado bruto, realizada antes dos execultivos retirarem das mãos do Pyun no processo de edição. Percebe-se até uma falta de acabamento em algumas cenas, além da imagem ruim, de VHS, sendo destinada somente para os verdadeiros fãs do filme e de seu diretor. E por isso, aumenta ainda mais o prazer de ter em mãos esta preciosidade.
Não vou fazer cerimônias pra comentar algumas diferenças entre as duas versões e vou soltar spoilers sem preocupações. Considerem avisados!
Depois de toda a história em relação à produção de MESTRES DO UNIVERSO 2 e HOMEM ARANHA, que vocês terão mais detalhes aqui, surgiu a idéia de fazer CYBORG, mas a princípio, o título seria SLINGER, que é a denominação utilizada para os personagens errantes do universo do filme, como é o caso de Gibson Rickenbacker, vivido pelo astro belga Jean Claude Van Damme. Nesta versão, não existe praga alguma devastando a população. Gibson persegue o vilão Fender (Vincent Klyn) por vingança, pura e simples, e nem se preocupa tanto com a tal cyborg sequestrada. Quanto a esta, a sua função no filme é carregar dados que vão ajudar a reestabelecer as redes elétricas deste futuro pós apocalíptico. Bom, ao menos é o que ela diz, mas descobrimos no fim que ela seus responsáveis possuem segundas intenções não muito amigáveis, dando ao filme um tom mais depressivo que já tinha.
Fender, na brilhante presença de Vincent Klyn, não muda muito. É a personificação do mal em todos os sentidos em ambas as versões, mas ganha um tom meio religioso aqui, como um enviado do diabo para trazer o caos, reforçado pela narração em off que não havia na outra versão. Aliás, a director’s cut ganha uma narração que permeia quase todo o filme e as palavras de Gibson dão ao personagem um interessante viés de samurai, algo que Pyun sempre declarou ter buscado para o sujeito.
A trilha sonora é um dos elementos que mais se diferencia do original. Eu gosto bastante da trilha de Kevin Bassinson, com destaque para as melodias suaves e tristes das cenas de flashback. Mas a que temos aqui, composta por Tony Ripparetti, parceiro de Pyun até hoje, é muito superior e se encaixa perfeitamente à narrativa, não apenas acompanhando as imagens, mas realmente dá ritmo e eleva a obra num patamar bem mais alto.
Não há nada nesta nova versão que eu não tenha gostado, mas existem alguns detalhes dos quais eu prefiro na versão anterior. As cenas de flashback na director’s cut são objetivas e surgem antes cronologicamente falando em relação à versão para cinema. Por exemplo, quando chega a grande sequência da crucificação do Van Damme, já sabemos de toda a história entre ele e Fender. A própria cena da crucificação ficou mais curta, embora não menos brutal. No orignal, a conclusão dos flashbacks vinham no momento em que Gibson estava pregado na cruz, prolongando ainda mais a cena, deixando-a com uma carga dramática muito maior. Outra grande diferença é na luta final entre Fender e Gibson. Ambas são excelentes, na minha opinião. Mas a desta aqui, apesar de possuir uma idéia mais visceral, sua execução fica um pouco a desejar, poupa o espectador de mostrar a morte horrível de Fender, deixando as coisas na imaginação, provavelmente pelo baixo orçamento, mas o fato é que entre as duas, prefiro a original, que é mais longa e mostra tudo o que tem que mostrar.
De uma forma geral, acho que esta director’s cut se encaixa mais ao estilo de Albert Pyun naquele período. É mais sombrio e dá ênfase às suas peculiaridades estéticas e influências (Sergio Leone e os filmes de samurai). Já a edição dos produtores deu a CYBORG um aspecto de filme de ação de baixo orçamento como tantos que existem por aí, mas com um resquício criativo de um realizador cheio de personalidade. Reforço que ainda assim, de alguma forma, foi um dos filmes que mais me encantou durante a infância, justamente pelos vestígios deixados por Albert Pyun.
E pra ser totalmente franco com vocês, essa director’s cut não possui modificações gritantes em relação ao “original”, está bem longe de ser "outro filme". E o grande lance é que o material bruto das filmagens de CYBORG, totalmente realizado por Pyun, é muito bom e é o que realmente faz toda a diferença! Todas as grandes cenas antológicas que transformaram esta obra num clássico permanecem aqui.
Acho que se eu pegasse esse material e editasse a minha versão, seguindo a mesma trama, não tenho dúvidas de que seria capaz de fazer um bom filme! Mas são as mínimas nuances que diferenciam uma versão da outra que demonstram claramente a idéia mais autoral de Albert Pyun. E olha que CYBORG, do jeitinho que era antes, já era o meu filme preferido do diretor… essa versão chega apenas para definir não apenas essa minha opinião, mas para colocar CYBORG entre os meus favoritos do gênero!
Ao fim do filme, há uma menção sobre um futuro projeto que retornaria ao universo de CYBORG em uma nova produção. Talvez uma sequência ou uma pré-continuação… veremos no que isso vai dar.
Quem se interessar por mais informaçõs sobre essa director’s cut, eu recomendo este post, escrito pelo Osvaldo Neto há poucos meses. O fato é que desde as primeiras notícias a respeito da descoberta desta versão, eu não pude conter a animação de saber que teria, em algum momento, o prazer de assistir a este filme da maneira como o Albert Pyun imaginou em termos de montagem, atmosfera e trilha sonora. Já disse isso no meu texto sobre a versão de cimena de CYBORG, mas vale repetir que se trata de um dos filmes que mais marcou a minha infância e se hoje sou um grande fã de filmes de ação e artes marciais, CYBORG teve grande parcela de culpa.
Um detalhe importante é que o termo “director’s cut” não possui a mesma definição da qual estamos acostumados. Não é o trabalho de alguém que resolveu remontar o filme, nem pretende o relançamento comercial para substituir o “original”. Esta é uma versão de CYBORG praticamente em estado bruto, realizada antes dos execultivos retirarem das mãos do Pyun no processo de edição. Percebe-se até uma falta de acabamento em algumas cenas, além da imagem ruim, de VHS, sendo destinada somente para os verdadeiros fãs do filme e de seu diretor. E por isso, aumenta ainda mais o prazer de ter em mãos esta preciosidade.
Não vou fazer cerimônias pra comentar algumas diferenças entre as duas versões e vou soltar spoilers sem preocupações. Considerem avisados!
Depois de toda a história em relação à produção de MESTRES DO UNIVERSO 2 e HOMEM ARANHA, que vocês terão mais detalhes aqui, surgiu a idéia de fazer CYBORG, mas a princípio, o título seria SLINGER, que é a denominação utilizada para os personagens errantes do universo do filme, como é o caso de Gibson Rickenbacker, vivido pelo astro belga Jean Claude Van Damme. Nesta versão, não existe praga alguma devastando a população. Gibson persegue o vilão Fender (Vincent Klyn) por vingança, pura e simples, e nem se preocupa tanto com a tal cyborg sequestrada. Quanto a esta, a sua função no filme é carregar dados que vão ajudar a reestabelecer as redes elétricas deste futuro pós apocalíptico. Bom, ao menos é o que ela diz, mas descobrimos no fim que ela seus responsáveis possuem segundas intenções não muito amigáveis, dando ao filme um tom mais depressivo que já tinha.
Fender, na brilhante presença de Vincent Klyn, não muda muito. É a personificação do mal em todos os sentidos em ambas as versões, mas ganha um tom meio religioso aqui, como um enviado do diabo para trazer o caos, reforçado pela narração em off que não havia na outra versão. Aliás, a director’s cut ganha uma narração que permeia quase todo o filme e as palavras de Gibson dão ao personagem um interessante viés de samurai, algo que Pyun sempre declarou ter buscado para o sujeito.
A trilha sonora é um dos elementos que mais se diferencia do original. Eu gosto bastante da trilha de Kevin Bassinson, com destaque para as melodias suaves e tristes das cenas de flashback. Mas a que temos aqui, composta por Tony Ripparetti, parceiro de Pyun até hoje, é muito superior e se encaixa perfeitamente à narrativa, não apenas acompanhando as imagens, mas realmente dá ritmo e eleva a obra num patamar bem mais alto.
Não há nada nesta nova versão que eu não tenha gostado, mas existem alguns detalhes dos quais eu prefiro na versão anterior. As cenas de flashback na director’s cut são objetivas e surgem antes cronologicamente falando em relação à versão para cinema. Por exemplo, quando chega a grande sequência da crucificação do Van Damme, já sabemos de toda a história entre ele e Fender. A própria cena da crucificação ficou mais curta, embora não menos brutal. No orignal, a conclusão dos flashbacks vinham no momento em que Gibson estava pregado na cruz, prolongando ainda mais a cena, deixando-a com uma carga dramática muito maior. Outra grande diferença é na luta final entre Fender e Gibson. Ambas são excelentes, na minha opinião. Mas a desta aqui, apesar de possuir uma idéia mais visceral, sua execução fica um pouco a desejar, poupa o espectador de mostrar a morte horrível de Fender, deixando as coisas na imaginação, provavelmente pelo baixo orçamento, mas o fato é que entre as duas, prefiro a original, que é mais longa e mostra tudo o que tem que mostrar.
De uma forma geral, acho que esta director’s cut se encaixa mais ao estilo de Albert Pyun naquele período. É mais sombrio e dá ênfase às suas peculiaridades estéticas e influências (Sergio Leone e os filmes de samurai). Já a edição dos produtores deu a CYBORG um aspecto de filme de ação de baixo orçamento como tantos que existem por aí, mas com um resquício criativo de um realizador cheio de personalidade. Reforço que ainda assim, de alguma forma, foi um dos filmes que mais me encantou durante a infância, justamente pelos vestígios deixados por Albert Pyun.
E pra ser totalmente franco com vocês, essa director’s cut não possui modificações gritantes em relação ao “original”, está bem longe de ser "outro filme". E o grande lance é que o material bruto das filmagens de CYBORG, totalmente realizado por Pyun, é muito bom e é o que realmente faz toda a diferença! Todas as grandes cenas antológicas que transformaram esta obra num clássico permanecem aqui.
Acho que se eu pegasse esse material e editasse a minha versão, seguindo a mesma trama, não tenho dúvidas de que seria capaz de fazer um bom filme! Mas são as mínimas nuances que diferenciam uma versão da outra que demonstram claramente a idéia mais autoral de Albert Pyun. E olha que CYBORG, do jeitinho que era antes, já era o meu filme preferido do diretor… essa versão chega apenas para definir não apenas essa minha opinião, mas para colocar CYBORG entre os meus favoritos do gênero!
Ao fim do filme, há uma menção sobre um futuro projeto que retornaria ao universo de CYBORG em uma nova produção. Talvez uma sequência ou uma pré-continuação… veremos no que isso vai dar.
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segunda-feira, 14 de março de 2011
REVIEW: CYBORG - O DRAGÃO DO FUTURO (1989)
Já que um dos principais assuntos envolvendo Albert Pyun atualmente é o seu director's cut de CYBORG - O DRAGÃO DO FUTURO (mais informações em alguns posts abaixo), vamos nos contentar por enquanto com um textinho sobre a sua versão mais conhecida mesmo, a que foi lançada nos cinemas, a que assisti ainda moleque em VHS, a mesma que comprei há algum tempo em DVD. Uma versão que mesmo retirada das mãos de seu criador no processo de edição, ainda concentra força suficiente para fazer a cabeça dos amantes dos filmes de ação casca grossa. Mas fica agora a ansiedade pela nova versão. Há notícias de que se trata de um filme bem diferente... é esperar pra ver.CYBORG é mais uma variação do subgênero “pós-apocalíptico”; filmes em que vislumbramos o futuro da pior maneira possível, com suas grandes cidades destruídas por alguma catástrofe natural ou não, geralmente com um punhado de pessoas que já perderam a noção de humanidade tentando sobreviver ao caos, enfrentando as piores desgraças, agindo com violência, imoralidade e sem esperanças de uma vida melhor.
No futuro de CYBORG, a "peste" devastou com a população mundial e a esperança do que resta da humanidade é a segurança de uma cyborg detentora da cura e que precisa chegar a Atlanta, único local com estrutura para trabalhar com o material que provavelmente vai restaurar a ordem no mundo.
Mas existem grupos anarquistas que preferem deixar tudo como está. É o caso da gangue do maquiavélico Fender, que faz de tudo para impedir que a moça de lata chegue ao seu destino. Aí que entra o nosso herói, Gibson (sim, os nomes dos personagens são marcas de guitarras!), na pele do belga Jean Claude Van Damme, um mercenário que se propõe a ajudar, embora seja motivado por um instinto vingativo, rixa do passado entre ele e o Fender, o qual é muito bem explorado nos flashbacks do protagonista.
Dirigido pelo mestre dos B movies, Albert Pyun, o qual este blog lhe é reservado, nunca escondeu sua predileção pelo universo pós apocalíptico e cyber punk. Deve ter adorado trabalhar com todos esses elementos neste que é considerado o seu melhor filme. A principio, Pyun havia sido contratado pela Cannon para que levasse à telona o filme do Homem Aranha, ao mesmo tempo, filmaria ainda, para a mesma produtora, a continuação de MESTRES DO UNIVERSO, aquele filme onde temos Dolph Lundgren encarnando o He-Man. Sendo assim, foram construídos cenários, figurinos bacanas e todo o aparato necessário para as duas produções.Sabemos que nenhum desses dois filmes chegou a ser filmado. Depois que a Cannon cancelou os projetos, Pyun apresentou uma história chamada SLINGER que evocava o universo dos samurais, mas inspirado pelo spaghetti western de Sergio Leone, cuja trama transcorre num mundo pós-apocalíptico que aproveitaria muito bem toda aquela estrutura já construída para os filmes cancelados. Seria filmado em preto e branco e teria uma estrutura de ópera... Bem, claro que o chefão da Cannon, Menahen Golan, cortou algumas ideias de Pyun, mas foi assim que surgiu CYBORG. No entanto, o filme ainda chegou a ser promovido na TV carregando o nome MASTERS OF UNIVERSE 2: CYBORG!
O filme é bem curto, não chega a uma hora e meia, mas a ação é constante. Difícil esquecer algumas cenas antológicas - Van Damme esparcado esperando seu oponente passar debaixo para dar o bote é genial. Aliás, toda a sequência que antecede a crucificação do protagonista e a maneira em que o personagem se livra da cruz com toda a fúria me marcou bastante há vinte anos atrás. Hoje ainda reserva grande força para quem embarca tranquilamente na trama e neste tipo de diversão.

Além de Van Damme (cujo sotaque na época ainda era um problema para Pyun), que se sai muito bem em cena, vale destacar o desempenho do grande Vincent Klyn, o vilão Fender, que possui uma puta presença ameaçadora e poderia muito bem ter sido melhor aproveitado no cinema. O único outro filme que não foi dirigido pelo Pyun que o ator participou (fizeram vários juntos) e que me vem à mente no momento é uma pequena participação em CAÇADORES DE EMOÇÃO, da Kathryn Bigelow (claro que deve ter feito outros, mas estou com preguiça de ir ao imdb pesquisar). A descoberta de Klyn é curiosa. Quando Pyun estava trabalhando no casting para a continuação de MESTRES DO UNIVERSO, o diretor foi ao Havaí procurar um ator que substituísse o Dolph no papel de He-Man e acabou encontrando, no meio de vários surfistas, Vincent Klyn. Pyun se impressionou tanto com aquela figura, que quando os projetos se transformaram em CYBORG, Pyun exigiu que Klyn fosse o vilão do filme... Daquelas escolhas simplesmente perfeitas. Pra mim Fender é uma das mais insanas, impiedosas e assustadoras representações do mal no cinema de ação de todos os tempos!
Eu posso estar sendo um nostálgico exagerado, mas CYBORG é um grande filme. Ótimo veículo de ação para o Van Damme, de quem eu nutro uma enorme admiração desde pequeno, muito bem dirigido pelo Pyun (ok, talvez eu esteja realmente exagerando!), ótimos cenários, atmosfera perfeita, efeitos especiais old school que chutam a bunda de qualquer CGI atual, trilha sonora marcante, etc e tal, mesmo sabendo que para a nova geração tudo isso não passa de uma tranqueira sem qualquer interesse... Uma pena.Texto originalmente publicado no Dementia 13, com pequenas atualizações.
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domingo, 1 de agosto de 2010
REVIEW: DOLLMAN (1991)
Embora seja mais uma dentre tantas produções dirigidas pelo Albert Pyun que sofre as duras penas por conta do baixíssimo orçamento, DOLLMAN teve a incrível façanha de ser um de seus poucos filmes que conseguiu reunir perfeitamente as ideias mirabolantes da cabeça do diretor com um bom resultado visto na tela. Ainda bem, porque isso é crucial neste aqui. Se esses detalhes não funcionassem, seria quase impossível engolir a história do policial alienígena que possui o tamanho de um boneco de ação no nosso planeta.
Tim Thomerson, trabalhando pela primeira vez com Pyun, encarna Brick Bardo, o tal personagem minúsculo. O sujeito é o típico policial casca-grossa que estamos acostumados a ver em filmes dos anos 80 e 90, que age por conta de suas próprias regras, com a pequena diferença de que é um extraterrestre. Ao perseguir alguns meliantes de seu planeta, Bardo acaba parando na Terra, onde ele não passa de um tiquinho de gente com 30 cm de altura! Mas isso não impede que seu lado durão se abale e com sua arma ultra potente – que explodia corpos inteiros no seu planeta, em pessoas com estatura normal para ele – faz um belo estrago na bandidagem da Terra.
E um dos seus principais inimigos de Bardo por aqui é vivido por ninguém menos que Jackie Earle Haley em início de carreira, já demonstrando certo talento. Vincent Klyn, o eterno Fender de CYBORG, também marca presença como um dos vilões, como não poderia ser diferente. Todo o elenco é bem competente, mas é impossível tirar os olhos do protagonista. Tim Thomerson carrega o filme nas costas, apesar do tamanho, com uma atuação excepcional!
Além disso, Pyun tem sempre grandes sacadas para manter o ritmo frenético em DOLLMAN com bons momentos de ação e um humor sarcástico. Várias cenas são impagáveis, sequências realmente difíceis de acreditar e que só poderiam ter saído da cachola do diretor, como o pequenino herói pendurado num carro dos bandidos, por exemplo, ou as trocações de tiros com os meliantes, e até o confronto com um rato ao entrar pelo cano, literalmente...
DOLLMAN é daquelas obras feitas sob medida para os fãs assíduos de uma boa tralha de baixo orçamento, que obviamente o espectador normal deverá achar uma perda de tempo. Azar o deles. Trata-se de um dos melhores e mais divertidos filmes do diretor.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
REVIEW: NEMESIS (1993)

Nemesis é um dos filmes mais divertidos do Pyun e me chamou muito a atenção pelo tratamento visual de algumas cenas e pelas várias sequências de ação de tirar o fôlego, muito bem dirigidas e coreografadas. O diretor retorna aos temas futuristas, cenários pós apocalípticos com estética cyberpunk e a presença de cyborgs ocupando seus espaços. São elementos que obtiveram bons resultados em outros filmes do Pyun como em Cyborg e Viagens Radioativas (que só não me lembro de haver cyborgs, mas o resto...).
A trama já possui certo grau de complexidade que por si só deixa o espectador interessado, ou confuso. Olivier Gruner – que é um robô na vida real – vive Alex Rain, um policial que peleja, no ano de 2027, contra uma organização terrorista que perturba a sociedade, que já não é lá muito tranquila neste período. Ferido diversas vezes, Alex é metade humano e metade máquina, mas ainda é capaz de salvar um cãozinho indefeso quando é preciso. Mas decide se aposentar e conviver com suas dualidades sossegado num canto qualquer. Mas se isso realmente acontecesse, não teríamos o filme, então o chefe de policia determina uma última missão a Alex e para obrigá-lo a realizar tal tarefa, eles implantam uma bomba perto de seu coração. Aí não tem escapatória. Mas à medida que realiza a missão, o nosso herói descobre que está envolvido em uma conspiração cujo objetivo é a conquista do mundo pelas máquinas, e que os terroristas que ele passou a vida exterminando estão, na verdade, lutando pela raça humana!!!
E as referências são bem diversificadas, vai de Blade Runner e Fuga de Nova York à Exterminador do Futuro, com direito a esqueleto metálico em stop motion azucrinando a vida do protagonista. Mas Nemesis também pode se orgulhar por ter influenciado a estética de alguns filmes futuristas, principalmente o figurino bem ao estilo Matrix, com os sobretudos, óculos escuros, ternos pretos, roupas de couro...O elenco é ótimo. Além do Gruner, temos Tim Thomerson, Cary-Hiroyuki Tagawa, Vincent Klyn, Brion James, e até mesmo uma pequena participação de um jovem Thomas Jane, apanhando de mulher nua, a gata Deborah Shelton.
Sobre as sequências de ação, temos o inicio do filme, os primeiros 15 minutos, que é um dos melhores momentos da carreira do Pyun, um tiroteio frenético muito bem filmado e editado num cenário magnífico. É um trabalho muito interessante que se sobressai ao restante do filme, que nunca consegue atingir o mesmo nível, uma pena. Ainda assim, Pyun não deixa a peteca cair. O seguimento que transcorre no hotel também é bacana e temos Olivier Gruner atravessando o chão fazendo burados com sua metralhadora, como nos desenhos animados. O final até que é legal com um sinistro Tim Thomerson seguindo Gruner e sua parceira por uma floresta em volta de um vulcão, mas não sei, o futuro da humanidade sendo decidido à beira de uma cachoeira é uma coisa feia. Prefiro muito mais os prédios tombados, a atmosfera de destruição e o cheiro de concreto queimado do inicio do filme. Mas tudo bem, o que importa é que Nemesis é divertido pacas!
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