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sábado, 30 de agosto de 2014

NAPOLEÃO KICKBOXER!


A notícia pode soar deveras bizarra. Mas, seremos diretos: Albert Pyun planeja filmar sua versão sobre Napoleão Bonaparte, o grande líder político e militar que esteve no comando da França durante os últimos anos da revolução francesa. É o que o próprio diretor informou em sua página no facebook há alguns dias e que tem agitado a imaginação dos admiradores de seu trabalho. Se realmente for pra frente, que raios deverá sair de um projeto como este?

Com CYBORG: NEMESIS em fase de finalização, ROAD TO HELL e THE INTERROGATION OF CHERYL COOPER já concluídos, Pyun fala  que este será o filme mais ambicioso de sua carreira. Segundo o diretor, a trama terá lugar no período da história da França quando o reino de terror atinge o seu clímax e ocorre a ascensão de Napoleão ao poder através do golpe de Estado de 1799. Os atores Scott Paulin e Norbert Weisser, ambos fieis colaboradores de longa data de Pyun, já estão confirmados. O primeiro será o advogado Maximilliam Robespierre e o outro encarnará o político revolucionário Saint-Just. 

Mas quem será o protagonista? Quem será Napoleão Bonaparte?

O primeiro nome na cabeça do Pyun, acreditem se quiser, é este senhor da foto aí abaixo:


Napoleão interpretado por Van Damme? Sim! É isso mesmo! Porra! Só o Pyun pra ter uma ideia tão genial! Óbvio, não é nada certo ainda. Acho até pouco provável que o belga encare a empreitada. Mas com o monte de merda que tem feito nos últimos anos (e já tendo trabalhado com o Pyun antes), não vejo como algo impossível.

A ideia, aparentemente, é fazer um filme de ação com influências bem inusitadas. Nas palavras do homem:
"O script molda um Napoleão mais no estilo do assassino de Assassin's Creed. Não que Napoleão pertença a uma sociedade secreta, mas ele é um militar inteligente e ambicioso em busca de seu lugar na Revolução Francesa. Napoleão é um homem de ação e é assim que será retratado no roteiro. Um lutador inteligente, que tem ressentimentos em relação ao francês, sendo ele um corso. Sua ambição e determinação é que lhe permite subir a escada do poder francês mesmo sendo um marginal. Penso que este Napoleão possui algumas similaridades com a própria vida de JCVD." 

As filmagens estão planejadas para iniciarem em novembro. Nós, aqui no Radioactive Dreams, estamos torcendo para que realmente aconteçam. De preferência com o Van Damme aceitando fazer o personagem.  

sexta-feira, 6 de junho de 2014

quinta-feira, 8 de abril de 2010

REVIEW: BULLETFACE (2010)

Distribuído pelos próprios realizadores no mercado de vídeo, Bulletface é o último trabalho de Albert Pyun lançado lá fora. É um exemplar bem estranho dentro do próprio cinema do diretor, ao mesmo tempo pode-se notar o estilo Pyun presente em cada fragmento, seja beneficiando ou até mesmo prejudicando a obra. Não vou fazer como os nossos amigos gringos que vêm tecendo elogios exagerados à fita. Seria hipocrisia da minha parte não apontar alguns detalhes que me incomodaram bastante, embora eu tenha gostado muito do filme.

É preciso levar em consideração que Pyun completou as filmagens de Bulletface em menos de uma semana com um orçamento baixíssimo até para o nível do nosso cinema nacional. Mas até aí tudo bem, mesmo porque a direção é interessante, com um tom “arthouse” e experimentalismo barroco, estética de câmera amadora que, particularmente, aprecio no cinema B atual e que Pyun faz muito bom uso. O enredo também não é nada simples focando mais no drama da personagem do que na ação. Basicamente, a trama acompanha Dara Marren (a argentina Victoria Maurette), uma ex-agente policial que vai parar no xadrez para livrar a pele de Bruno, seu irmão mais novo.

As cenas na prisão resumem-se em desagradáveis estupros que a protagonista sofre, sempre aparecendo em sonhos e lembranças durante a narrativa. Apesar da nudez, não há nada de sexy nessas sequências, embora sejam algumas das melhores aqui presente, filmadas com grande força, um realismo impressionante e iluminação bem trabalhada. Os atores também prestam um bom serviço.

Durante a detenção de Dara, Bruno acaba assassinado por traficantes de uma nova e perigosa droga chamada Red Eye, feita através de um fluido da espinha dorsal humana. Um agente especial do governo, interpretado pelo veterano Steven Bauer, aproveita a situação de Dara para libertá-la durante um fim de semana para que possa se vingar dos culpados pela morte do irmão. Em troca ela o ajudaria a pegar os responsáveis pela nova droga.

Victoria Maurette está magnífica. É o segundo trabalho que ela faz com o diretor e percebe-se o entrosamento nas encenações. Em Tales of Ancient Empire ela voltará no papel de uma sensual vampira e Pyun ainda tem mais planos para ela em futuros trabalhos. Dara Marren é uma personagem forte, complexa, bem construída e Maurette se encaixa perfeitamente a ela. O elenco é um grande destaque em Bulletface. Bauer está muito bem e lembra um Mickey Rourke dos filmes B, já Scott Paulin, grande colaborador de Pyun, tem ótimos momentos.

A jornada de Dara em busca de vingança funciona como um bizarro filme noir moderno com uma pitada de ficção científica (nas cenas do laboratório onde a droga é projetada). Nada que surpreenda o fã mais entusiasta de Albert Pyun. Este parece vislumbrado com as novas ferramentas tecnológicas de montagem e é exatamente aí que mora o perigo. Ken Morrisey é o nome do editor, mas é provável que quem toma as decisões de montagem seja o Pyun. O sujeito atira para todos os lados: congela imagens, abusa de split screen, efeitos moderninhos, etc, tudo que tem direito. Só que ele não tem a mínima noção de como isso prejudica muito o ritmo do filme.

Infelizmente estes detalhes de edição não dão a impressão de que o realizador seja o mesmo que dirigiu Nemesis, Cyborg ou Jogo de Assassinos. E o que mais impressiona é que a direção experimental dele é ótima, mas nem isso, nem o elenco afiado e até mesmo a brilhante trilha sonora de Tony Riparetti compensam. Para um maluco aficcionado pelo cinema do Pyun, como eu, o resultado final é positivo, possui todos os tiques que fazem a personalidade do diretor e até as bizarrices que agradam seus fãs. O problema é que por conta da montagem o filme acaba limitado a este público específico: fãs de Albert Pyun. O espectador normal poderá não aguentar nem os primeiros 10 minutos, o que é uma pena.