Mostrando postagens com marcador ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ficção. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de abril de 2015

REVIEW: VIAGEM RADIOATIVA (Radioactive Dreams, 1985)


O segundo filme de Albert Pyun, RADIOACTIVE DREAMS, se passa num período pós-apocalíptico, fruto da Terceira Guerra Mundial. Antes das bombas nucleares começarem a explodir, no entanto, dois garotos são colocados em um abrigo subterrâneo onde passam o tempo lendo livros policiais dos anos 30 e 40. Pyun, já treinando sua astúcia na criação de nomes para personagens, coloca Phillip Chandler (John Stockwell) para um e Marlowe Hammer (Michael Dudikoff) para o outro. Quem conhece o mínimo de novelas policiais dos anos 40, deve ter percebido a esperteza do diretor/roteirista em homenagear os verdadeiros criadores do estilo noir. Após 15 anos vivendo no local, os garotos, agora um pouco mais velhos, conseguem sair do abrigo e se deparam com o mundo em um estado bem interessante...

Cyberpunks antropófagos, motoqueiros, roqueiros, mutantes e um rato monstro gigante, todos bastante hostis, são alguns exemplos de seres que estavam lá fora para receber os dois ingênuos rapazes que praticamente passaram a vida inteira olhando um para cara do outro dentro do abrigo subterrâneo e agora pensam que são dois detetives tentando resolver um caso. E o pior é que acabam entrando numa intriga envolvendo um par de chaves que aciona um míssil poderosíssimo, capaz de devastar toda a raça humana. 

E todo o tipo de figura estranha e maliciosa pretende colocar as mãos nas tais chaves, só não me pergunte o motivo, mas acho que, como dizia o ex-presidente americano George W. Bush, uma única palavra resume a responsabilidade de qualquer governante, e essa palavra é “estar preparado”...


No campo das atuações, temos um Michael Dudikoff irreconhecível, bem diferente dos papeis sérios que encarnou nos filmes de ação que fazia a alegria da moçada. Aqui, o seu Marlowe é um sujeito afetado, age o tempo inteiro como se fosse uma bicha louca em “quarto escuro” de boate gay (não, nunca entrei num lugar assim e nem pretendo, antes que comecem a pensar gracinhas). Seu trabalho seguinte foi exatamente aquele que mudou o rumo de sua carreira: AMERICAN NINJA, grande clássico que também marcou a infância de muita gente. Já John Stockwell faz o tipo caladão e mais sóbrio da dupla. Stockwell já tinha um rosto um tanto famoso pela participação em CHRISTINE, do John Carpenter. Voltou a trabalhar com o Pyun em DANGEROUSLY CLOSE, antes de ser escalado em TOP GUN, de Tony Scott. Saiu debaixo dos holofotes, fez algumas pontas e dirigiu algumas coisas, foi ele quem realizou aquela tosqueira filmada aqui no Brasil e causou um rebuliço besta: TURISTAS. Ainda no elenco de RADIOACTIVE DREAMS temos os veteranos George Kennedy e Don Murray.

O roteiro maluco escrito pelo próprio Pyun mistura ficção cientifica pós-apocalíptica, elementos do film noir e muita aventura no estilo MAD MAX II e er... BLADE RUNNER, que influenciou meio mundo de filmes no período. Só poderia gerar bons momentos de diversão para toda a família; e até mesmo a direção canhestra do Pyun, ainda ganhando uma forma, um estilo, dá ao filme um charme singular, isso sem falar que a trilha sonora é sensacional, escolhida a dedo com várias canções bem datadas dos anos oitenta. A quem, por um acaso, adentrou neste recinto por algum motivo, recomendo fortemente. 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

NEMESIS

Final alternativo da ficção de ação, NEMESIS, lançado somente no VHS japonês.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

REVIEW: CYBORG DIRECTOR'S CUT, aka SLINGER (1989)

Aqui vão as minhas primeiras impressões e idéias soltas sobre a versão do diretor de CYBORG.

Quem se interessar por mais informaçõs sobre essa director’s cut, eu recomendo este post, escrito pelo Osvaldo Neto há poucos meses. O fato é que desde as primeiras notícias a respeito da descoberta desta versão, eu não pude conter a animação de saber que teria, em algum momento, o prazer de assistir a este filme da maneira como o Albert Pyun imaginou em termos de montagem, atmosfera e trilha sonora. Já disse isso no meu texto sobre a versão de cimena de CYBORG, mas vale repetir que se trata de um dos filmes que mais marcou a minha infância e se hoje sou um grande fã de filmes de ação e artes marciais, CYBORG teve grande parcela de culpa.

Um detalhe importante é que o termo “director’s cut” não possui a mesma definição da qual estamos acostumados. Não é o trabalho de alguém que resolveu remontar o filme, nem pretende o relançamento comercial para substituir o “original”. Esta é uma versão de CYBORG praticamente em estado bruto, realizada antes dos execultivos retirarem das mãos do Pyun no processo de edição. Percebe-se até uma falta de acabamento em algumas cenas, além da imagem ruim, de VHS, sendo destinada somente para os verdadeiros fãs do filme e de seu diretor. E por isso, aumenta ainda mais o prazer de ter em mãos esta preciosidade.

Não vou fazer cerimônias pra comentar algumas diferenças entre as duas versões e vou soltar spoilers sem preocupações. Considerem avisados!

Depois de toda a história em relação à produção de MESTRES DO UNIVERSO 2 e HOMEM ARANHA, que vocês terão mais detalhes aqui, surgiu a idéia de fazer CYBORG, mas a princípio, o título seria SLINGER, que é a denominação utilizada para os personagens errantes do universo do filme, como é o caso de Gibson Rickenbacker, vivido pelo astro belga Jean Claude Van Damme. Nesta versão, não existe praga alguma devastando a população. Gibson persegue o vilão Fender (Vincent Klyn) por vingança, pura e simples, e nem se preocupa tanto com a tal cyborg sequestrada. Quanto a esta, a sua função no filme é carregar dados que vão ajudar a reestabelecer as redes elétricas deste futuro pós apocalíptico. Bom, ao menos é o que ela diz, mas descobrimos no fim que ela seus responsáveis possuem segundas intenções não muito amigáveis, dando ao filme um tom mais depressivo que já tinha.

Fender, na brilhante presença de Vincent Klyn, não muda muito. É a personificação do mal em todos os sentidos em ambas as versões, mas ganha um tom meio religioso aqui, como um enviado do diabo para trazer o caos, reforçado pela narração em off que não havia na outra versão. Aliás, a director’s cut ganha uma narração que permeia quase todo o filme e as palavras de Gibson dão ao personagem um interessante viés de samurai, algo que Pyun sempre declarou ter buscado para o sujeito.


A trilha sonora é um dos elementos que mais se diferencia do original. Eu gosto bastante da trilha de Kevin Bassinson, com destaque para as melodias suaves e tristes das cenas de flashback. Mas a que temos aqui, composta por Tony Ripparetti, parceiro de Pyun até hoje, é muito superior e se encaixa perfeitamente à narrativa, não apenas acompanhando as imagens, mas realmente dá ritmo e eleva a obra num patamar bem mais alto. 

Não há nada nesta nova versão que eu não tenha gostado, mas existem alguns detalhes dos quais eu prefiro na versão anterior. As cenas de flashback na director’s cut são objetivas e surgem antes cronologicamente falando em relação à versão para cinema. Por exemplo, quando chega a grande sequência da crucificação do Van Damme, já sabemos de toda a história entre ele e Fender. A própria cena da crucificação ficou mais curta, embora não menos brutal. No orignal, a conclusão dos flashbacks vinham no momento em que Gibson estava pregado na cruz, prolongando ainda mais a cena, deixando-a com uma carga dramática muito maior. Outra grande diferença é na luta final entre Fender e Gibson. Ambas são excelentes, na minha opinião. Mas a desta aqui, apesar de possuir uma idéia mais visceral, sua execução fica um pouco a desejar, poupa o espectador de mostrar a morte horrível de Fender, deixando as coisas na imaginação, provavelmente pelo baixo orçamento, mas o fato é que entre as duas, prefiro a original, que é mais longa e mostra tudo o que tem que mostrar.

De uma forma geral, acho que esta director’s cut se encaixa mais ao estilo de Albert Pyun naquele período. É mais sombrio e dá ênfase às suas peculiaridades estéticas e influências (Sergio Leone e os filmes de samurai). Já a edição dos produtores deu a CYBORG um aspecto de filme de ação de baixo orçamento como tantos que existem por aí, mas com um resquício criativo de um realizador cheio de personalidade. Reforço que ainda assim, de alguma forma, foi um dos filmes que mais me encantou durante a infância, justamente pelos vestígios deixados por Albert Pyun.

E pra ser totalmente franco com vocês, essa director’s cut não possui modificações gritantes em relação ao “original”, está bem longe de ser "outro filme". E o grande lance é que o material bruto das filmagens de CYBORG, totalmente realizado por Pyun, é muito bom e é o que realmente faz toda a diferença! Todas as grandes cenas antológicas que transformaram esta obra num clássico permanecem aqui.

Acho que se eu pegasse esse material e editasse a minha versão, seguindo a mesma trama, não tenho dúvidas de que seria capaz de fazer um bom filme! Mas são as mínimas nuances que diferenciam uma versão da outra que demonstram claramente a idéia mais autoral de Albert Pyun. E olha que CYBORG, do jeitinho que era antes, já era o meu filme preferido do diretor… essa versão chega apenas para definir não apenas essa minha opinião, mas para colocar CYBORG entre os meus favoritos do gênero!

Ao fim do filme, há uma menção sobre um futuro projeto que retornaria ao universo de CYBORG em uma nova produção. Talvez uma sequência ou uma pré-continuação… veremos no que isso vai dar.

segunda-feira, 14 de março de 2011

REVIEW: CYBORG - O DRAGÃO DO FUTURO (1989)

Já que um dos principais assuntos envolvendo Albert Pyun atualmente é o seu director's cut de CYBORG - O DRAGÃO DO FUTURO (mais informações em alguns posts abaixo), vamos nos contentar por enquanto com um textinho sobre a sua versão mais conhecida mesmo, a que foi lançada nos cinemas, a que assisti ainda moleque em VHS, a mesma que comprei há algum tempo em DVD. Uma versão que mesmo retirada das mãos de seu criador no processo de edição, ainda concentra força suficiente para fazer a cabeça dos amantes dos filmes de ação casca grossa. Mas fica agora a ansiedade pela nova versão. Há notícias de que se trata de um filme bem diferente... é esperar pra ver.

CYBORG é mais uma variação do subgênero “pós-apocalíptico”; filmes em que vislumbramos o futuro da pior maneira possível, com suas grandes cidades destruídas por alguma catástrofe natural ou não, geralmente com um punhado de pessoas que já perderam a noção de humanidade tentando sobreviver ao caos, enfrentando as piores desgraças, agindo com violência, imoralidade e sem esperanças de uma vida melhor.

No futuro de CYBORG, a "peste" devastou com a população mundial e a esperança do que resta da humanidade é a segurança de uma cyborg detentora da cura e que precisa chegar a Atlanta, único local com estrutura para trabalhar com o material que provavelmente vai restaurar a ordem no mundo.

Mas existem grupos anarquistas que preferem deixar tudo como está. É o caso da gangue do maquiavélico Fender, que faz de tudo para impedir que a moça de lata chegue ao seu destino. Aí que entra o nosso herói, Gibson (sim, os nomes dos personagens são marcas de guitarras!), na pele do belga Jean Claude Van Damme, um mercenário que se propõe a ajudar, embora seja motivado por um instinto vingativo, rixa do passado entre ele e o Fender, o qual é muito bem explorado nos flashbacks do protagonista.

Dirigido pelo mestre dos B movies, Albert Pyun, o qual este blog lhe é reservado, nunca escondeu sua predileção pelo universo pós apocalíptico e cyber punk. Deve ter adorado trabalhar com todos esses elementos neste que é considerado o seu melhor filme. A principio, Pyun havia sido contratado pela Cannon para que levasse à telona o filme do Homem Aranha, ao mesmo tempo, filmaria ainda, para a mesma produtora, a continuação de MESTRES DO UNIVERSO, aquele filme onde temos Dolph Lundgren encarnando o He-Man. Sendo assim, foram construídos cenários, figurinos bacanas e todo o aparato necessário para as duas produções.

Sabemos que nenhum desses dois filmes chegou a ser filmado. Depois que a Cannon cancelou os projetos, Pyun apresentou uma história chamada SLINGER que evocava o universo dos samurais, mas inspirado pelo spaghetti western de Sergio Leone, cuja trama transcorre num mundo pós-apocalíptico que aproveitaria muito bem toda aquela estrutura já construída para os filmes cancelados. Seria filmado em preto e branco e teria uma estrutura de ópera... Bem, claro que o chefão da Cannon, Menahen Golan, cortou algumas ideias de Pyun, mas foi assim que surgiu CYBORG. No entanto, o filme ainda chegou a ser promovido na TV carregando o nome MASTERS OF UNIVERSE 2: CYBORG!

O filme é bem curto, não chega a uma hora e meia, mas a ação é constante. Difícil esquecer algumas cenas antológicas - Van Damme esparcado esperando seu oponente passar debaixo para dar o bote é genial. Aliás, toda a sequência que antecede a crucificação do protagonista e a maneira em que o personagem se livra da cruz com toda a fúria me marcou bastante há vinte anos atrás. Hoje ainda reserva grande força para quem embarca tranquilamente na trama e neste tipo de diversão.

Além de Van Damme (cujo sotaque na época ainda era um problema para Pyun), que se sai muito bem em cena, vale destacar o desempenho do grande Vincent Klyn, o vilão Fender, que possui uma puta presença ameaçadora e poderia muito bem ter sido melhor aproveitado no cinema. O único outro filme que não foi dirigido pelo Pyun que o ator participou (fizeram vários juntos) e que me vem à mente no momento é uma pequena participação em CAÇADORES DE EMOÇÃO, da Kathryn Bigelow (claro que deve ter feito outros, mas estou com preguiça de ir ao imdb pesquisar). A descoberta de Klyn é curiosa. Quando Pyun estava trabalhando no casting para a continuação de MESTRES DO UNIVERSO, o diretor foi ao Havaí procurar um ator que substituísse o Dolph no papel de He-Man e acabou encontrando, no meio de vários surfistas, Vincent Klyn. Pyun se impressionou tanto com aquela figura, que quando os projetos se transformaram em CYBORG, Pyun exigiu que Klyn fosse o vilão do filme... Daquelas escolhas simplesmente perfeitas. Pra mim Fender é uma das mais insanas, impiedosas e assustadoras representações do mal no cinema de ação de todos os tempos!

Eu posso estar sendo um nostálgico exagerado, mas CYBORG é um grande filme. Ótimo veículo de ação para o Van Damme, de quem eu nutro uma enorme admiração desde pequeno, muito bem dirigido pelo Pyun (ok, talvez eu esteja realmente exagerando!), ótimos cenários, atmosfera perfeita, efeitos especiais old school que chutam a bunda de qualquer CGI atual, trilha sonora marcante, etc e tal, mesmo sabendo que para a nova geração tudo isso não passa de uma tranqueira sem qualquer interesse... Uma pena.

Texto originalmente publicado no Dementia 13, com pequenas atualizações.

segunda-feira, 7 de março de 2011

CYBORG - The Director's Cut


A partir de hoje, o blog Radioactive Dreams está de volta. Tivemos um hiato de meses sem atualização, mas tudo indica que eu e Ronald voltaremos com força em atualizações semanais. E para celebrar esse retorno, vamos falar sobre uma notícia que marcou a semana dos interessados em CYBORG e na obra de Albert Pyun: a descoberta de um corte do diretor que o próprio Pyun acreditava estar perdido.


Embora seja um dos títulos mais lembrados de sua filmografia, o realizador sempre faz questão de deixar claro que a versão de CYBORG lançada nos cinemas em 1989 pela Cannon não era o seu filme. Jean-Claude Van Damme odiou o corte de Pyun, o que fez o diretor sair do projeto e Sheldon Lettich (O GRANDE DRAGÃO BRANCO, DUPLO IMPACTO) entrar para trabalhar numa nova edição do filme que se tornaria a versão de cinema. A história dos bastidores da produção é tão insana quanto sua pós-produção, Pyun dirigiria uma continuação de MESTRES DO UNIVERSO (sim, o He-Man com Dolph Lundgren) e um live-action do HOMEM ARANHA que seriam filmados simultaneamente. Mas a Cannon estava passando por problemas financeiros e cancelou seus acordos com a Mattel e Marvel, proprietárias dos direitos, apesar de já terem gasto cerca de dois milhões de dólares com sets e figurinos.

Pyun teve de partir para fazer um filme diferente, se virando com o que tinham disponível mais um orçamento de menos de quinhentos mil dólares, contando com o salário de Van Damme. O realizador escreveu a trama da produção numa semana e logo em seguida, partiria para uma das filmagens mais caóticas de sua carreira. Em mais três semanas, o filme estava na lata. A pós-produção também não se mostrou uma experiência confortável. Pyun se mostrava disposto a realizar um filme de gênero mais experimental, sombrio, violento e operático, homenageando aos filmes de samurai e faroestes que ele cresceu assistindo. Essa proposta não era vista com bons olhos pela Cannon e Van Damme, claro. Apesar dos pesares, CYBORG, a versão de cinema, é um dos melhores filmes do diretor e um atestado do quanto pode ser prazeroso assistir a uma fita de baixo orçamento feito com paixão e criatividade.


Toda essa história foi contada para chegarmos ao início deste mês de março, quando o compositor e parceiro Tony Riparetti estava limpando seu depósito e foram encontradas duas VHS com o último corte de Pyun antes de Van Damme e Lettich tomarem conta da produção. Aliás, a produção nem era chamada CYBORG antes de seu lançamento e sim SLINGER, como podemos conferir na imagem abaixo.


A fita com o último corte é de propriedade de Pyun por conta de um acordo feito antes que ele saísse do projeto na pós-produção, ou seja, ele está livre para disponibilizar e explorar comercialmente. É nisso que Pyun está trabalhando desde o último dia 03 e na data de ontem, 06 de março, uma prévia foi disponibilizada aos fãs no Vimeo.



Uma das maiores diferenças entre as duas versões é a trilha sonora original de Tony Riparetti e Jim Saad no lugar da composta por Kevin Bassinson, que se continuar no nível do teaser será muito apreciada. Ela também será lançada em breve pela Howlin Wolf Records. Também foi informado que a duração total é de 88 minutos, que a voz de Van Damme está dublada, pois o ator estava ocupado rodando outro filme (não se sabe ao certo qual seria, KICKBOXER ou GARANTIA DE MORTE) e que Vincent Klyn será ouvido em sua própria voz, que foi dublada na versão de cinema. O corte também é mais violento, pois ainda não havia sido submetido para a classificação etária da MPAA.


Maiores informações sobre o lançamento podem ser obtidas através da Curnan Pictures (curnanpictures @ gmail com), na página oficial de Pyun no Facebook, Albert Pyun Movies e claro, aqui no Radioactive Dreams. Até a próxima!

PS: (07/03, 18:33) Acabei de saber através de Pyun que o vilão principal da DC não é Fender, mas Pearl Prophet. Ela e seu pessoal querem dominar o planeta. O novo corte se trata mesmo de um filme completamente diferente.

domingo, 1 de agosto de 2010

REVIEW: DOLLMAN (1991)


Embora seja mais uma dentre tantas produções dirigidas pelo Albert Pyun que sofre as duras penas por conta do baixíssimo orçamento, DOLLMAN teve a incrível façanha de ser um de seus poucos filmes que conseguiu reunir perfeitamente as ideias mirabolantes da cabeça do diretor com um bom resultado visto na tela. Ainda bem, porque isso é crucial neste aqui. Se esses detalhes não funcionassem, seria quase impossível engolir a história do policial alienígena que possui o tamanho de um boneco de ação no nosso planeta.

Tim Thomerson, trabalhando pela primeira vez com Pyun, encarna Brick Bardo, o tal personagem minúsculo. O sujeito é o típico policial casca-grossa que estamos acostumados a ver em filmes dos anos 80 e 90, que age por conta de suas próprias regras, com a pequena diferença de que é um extraterrestre. Ao perseguir alguns meliantes de seu planeta, Bardo acaba parando na Terra, onde ele não passa de um tiquinho de gente com 30 cm de altura! Mas isso não impede que seu lado durão se abale e com sua arma ultra potente – que explodia corpos inteiros no seu planeta, em pessoas com estatura normal para ele – faz um belo estrago na bandidagem da Terra.


E um dos seus principais inimigos de Bardo por aqui é vivido por ninguém menos que Jackie Earle Haley em início de carreira, já demonstrando certo talento. Vincent Klyn, o eterno Fender de CYBORG, também marca presença como um dos vilões, como não poderia ser diferente. Todo o elenco é bem competente, mas é impossível tirar os olhos do protagonista. Tim Thomerson carrega o filme nas costas, apesar do tamanho, com uma atuação excepcional!

DOLLMAN foi a primeira parceria do diretor Albert Pyun com a Full Moon, de Charles Band, produtora que sempre trabalhou com pouco recurso, mas com muita criatividade e excelentes resultados. Aqui não é diferente. Embora Pyun reclame que Band seja um produtor muito controlador, o diretor demonstra bastante eficiência em tentar tornar crível a situação do protagonista, seja com os enquadramentos, os ângulos que transformam Thomerson num bonequinho, posicionamento de câmeras e até mesmo no uso efeitos especiais e trucagens.


Além disso, Pyun tem sempre grandes sacadas para manter o ritmo frenético em DOLLMAN com bons momentos de ação e um humor sarcástico. Várias cenas são impagáveis, sequências realmente difíceis de acreditar e que só poderiam ter saído da cachola do diretor, como o pequenino herói pendurado num carro dos bandidos, por exemplo, ou as trocações de tiros com os meliantes, e até o confronto com um rato ao entrar pelo cano, literalmente...

DOLLMAN é daquelas obras feitas sob medida para os fãs assíduos de uma boa tralha de baixo orçamento, que obviamente o espectador normal deverá achar uma perda de tempo. Azar o deles. Trata-se de um dos melhores e mais divertidos filmes do diretor.

terça-feira, 4 de maio de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

REVIEW: NEMESIS (1993)


Nemesis é um dos filmes mais divertidos do Pyun e me chamou muito a atenção pelo tratamento visual de algumas cenas e pelas várias sequências de ação de tirar o fôlego, muito bem dirigidas e coreografadas. O diretor retorna aos temas futuristas, cenários pós apocalípticos com estética cyberpunk e a presença de cyborgs ocupando seus espaços. São elementos que obtiveram bons resultados em outros filmes do Pyun como em Cyborg e Viagens Radioativas (que só não me lembro de haver cyborgs, mas o resto...).

A trama já possui certo grau de complexidade que por si só deixa o espectador interessado, ou confuso. Olivier Gruner – que é um robô na vida real – vive Alex Rain, um policial que peleja, no ano de 2027, contra uma organização terrorista que perturba a sociedade, que já não é lá muito tranquila neste período. Ferido diversas vezes, Alex é metade humano e metade máquina, mas ainda é capaz de salvar um cãozinho indefeso quando é preciso. Mas decide se aposentar e conviver com suas dualidades sossegado num canto qualquer. Mas se isso realmente acontecesse, não teríamos o filme, então o chefe de policia determina uma última missão a Alex e para obrigá-lo a realizar tal tarefa, eles implantam uma bomba perto de seu coração. Aí não tem escapatória. Mas à medida que realiza a missão, o nosso herói descobre que está envolvido em uma conspiração cujo objetivo é a conquista do mundo pelas máquinas, e que os terroristas que ele passou a vida exterminando estão, na verdade, lutando pela raça humana!!!

E as referências são bem diversificadas, vai de Blade Runner e Fuga de Nova York à Exterminador do Futuro, com direito a esqueleto metálico em stop motion azucrinando a vida do protagonista. Mas Nemesis também pode se orgulhar por ter influenciado a estética de alguns filmes futuristas, principalmente o figurino bem ao estilo Matrix, com os sobretudos, óculos escuros, ternos pretos, roupas de couro...

O elenco é ótimo. Além do Gruner, temos Tim Thomerson, Cary-Hiroyuki Tagawa, Vincent Klyn, Brion James, e até mesmo uma pequena participação de um jovem Thomas Jane, apanhando de mulher nua, a gata Deborah Shelton.

Sobre as sequências de ação, temos o inicio do filme, os primeiros 15 minutos, que é um dos melhores momentos da carreira do Pyun, um tiroteio frenético muito bem filmado e editado num cenário magnífico. É um trabalho muito interessante que se sobressai ao restante do filme, que nunca consegue atingir o mesmo nível, uma pena. Ainda assim, Pyun não deixa a peteca cair. O seguimento que transcorre no hotel também é bacana e temos Olivier Gruner atravessando o chão fazendo burados com sua metralhadora, como nos desenhos animados. O final até que é legal com um sinistro Tim Thomerson seguindo Gruner e sua parceira por uma floresta em volta de um vulcão, mas não sei, o futuro da humanidade sendo decidido à beira de uma cachoeira é uma coisa feia. Prefiro muito mais os prédios tombados, a atmosfera de destruição e o cheiro de concreto queimado do inicio do filme. Mas tudo bem, o que importa é que Nemesis é divertido pacas!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Homenagem a Tony Riparetti

O primeiro vídeo foi feito com imagens e artes de Omega Doom encontradas na Internet por este elemento que vos escreve. Tosquinho, mas o que importa é a música, extraída do próprio filme já que a trilha nunca foi lançada. Foram gastos menos de 30 minutos com a brincadeira e confesso que curti o (modesto) resultado final.



quinta-feira, 25 de março de 2010

REVIEW: VIAGEM RADIOATIVA (Radioactive Dreams, 1985)


Viagem Radioativa é um caso ímpar na história da sétima arte. Albert Pyun realizou um filme que previu o seu destino pelo fato de uma das músicas da trilha se chamar "Guilty Pleasures". A antiga VHS distribuída pela Look Vídeo é definida por Rubens Ewald Filho na sua introdução como "uma simpática aventura de ficção". O que quer dizer que, atualmente, tanto para ele quanto para alguns fãs de produções fuleiras, ela tem seu lugar reservado dentre os seus prazeres culpados do cinema.

Com um roteiro repleto de 'qualidades' escrito pelo próprio diretor, a produção consegue fazer juz ao feliz título brasileiro. Ela tem uma história até original e começa com dois homens (o veterano George Kennedy e Don Murray) levando duas crianças para um abrigo nuclear, devido ao início da devastadora Terceira Guerra Mundial. Detalhe: Isso aconteceu em 1986!! Passado algum tempo e após terem recebido alguma educação, os garotos são abandonados. Enclausurados e sem ter o que fazer, eles se dedicam a leitura de vários romances policiais clássicos e baratos e passam a se considerar verdadeiros experts criminais. 15 anos depois, Phillip (John Stockwell) e Marlowe (Michael Dudikoff) conseguem cortar seus cabelos, arranjar roupas típicas de investigador, encontrar uma saída e ligar um empoeirado carro guardado todo este tempo sem qualquer dificuldade para encontrar o mundo amalucado que os espera.


E bota amalucado nisso. Em pleno 2001, temos cyberpunks motoqueiros, mutantes asquerosos, punks canibais e gente com o rosto deformado de tantos piercings entre os únicos sobreviventes da Terra. Os nossos heróis ainda tem de encarar a mercenária Miles Archer (Lisa Blount, do clássico O Príncipe das Trevas, dirigido por John Carpenter) que acidentalmente deixou com eles a chave para detonar o último míssil nuclear do planeta e dois pirralhos arrumadinhos, armados e dementes que dizem "fuck" ou "fucking" a cada 2 segundos. Portanto, quem for assistir ao filme deve estar preparado para algo realmente atípico. Viagem Radioativa pode ser definido em poucas palavras como uma mistureba braba e insana de "film noir", ficção científica, comédia e musical (!!!) amparada por uma trilha sonora pop pra lá de datada e divertida. É ver para crer.


As presenças de John Stockwell e Michael Dudikoff como os ingênuos protagonistas é outra coisa que deixa a película interessante. Na época, Stockwell já tinha feito Christine - O Carro Assassino (Carpenter outra vez) e seria o vilão de Caçada Perigosa (também conhecido como A Ronda da Morte), produção da inesquecível Cannon Pictures, onde trabalha novamente com Pyun. Ele passa a ser mais conhecido do público quando atua ao lado de Tom Cruise e Val Kilmer em Top Gun. Atualmente, Stockwell se dedica mais escrevendo e dirigindo longas metragens, como o "polêmico" TURISTAS.

Após contracenar com Tom Hanks em A Última Festa de Solteiro, Dudikoff foi o garoto de ouro da Cannon ao estrelar o clássico da Sessão da Tarde (que infelizmente agora só passa filmes de animais e bebês inteligentes) chamado Guerreiro Americano, onde dividiu a tela com Steve James. Depois deste, vieram títulos como A Volta do Guerreiro Americano e O Rio da Morte. A partir dos anos 90, ele entrou com força total no mercado de filmes de ação para lançamento em vídeo, tendo algumas produções dirigidas por Jim Wynorski e Fred Olen Ray na sua filmografia. Com o último, Dudikoff fez um faroeste co-estrelado pelo grande William Smith e Randy Travis intitulado The Shooter. Um de seus últimos trabalhos foi Força da Natureza, dirigido pelo Wynorski, onde contracenou com Treat Williams e Tim Thomerson. Hoje em dia, anda sumido e sem previsões de novos projetos no IMDB.


Podemos notar que Viagem Radioativa também é uma das primeiras colaborações de dois futuros veteranos na filmografia de Albert Pyun. O compositor Tony Riparetti tem aqui a sua primeira colaboração com Pyun, em canções da trilha sonora. O ator alemão Norbert Weisser faz um dos vilões malucos e tem uma inesquecível, porém pequena participação logo no início de O Enigma de Outro Mundo. Resta alguma dúvida que Pyun é fã de John Carpenter?

Quem curte uma boa tralha não pode deixar de conhecer esta esquisita pérola do cinema oitentista. Afinal, em qual outro filme poderemos ver um monstrengo enorme e sem qualquer relação com a trama aparecendo nos lugares mais inimagináveis para assustar os personagens?? Mais anos 80 impossível.

Texto originalmente postado no extinto site Erotikill.